Como as redes sociais me deixam ansiosa (e um pouquinho perdida)

Tem dias em que entro nas redes sociais sem nem pensar. Abro o app, deslizo o dedo, e deixo as imagens me engolirem. É automático. Quando percebo, estou lá há mais de uma hora — vendo a vida dos outros, comparando sem querer, me cobrando sem precisar.

Eu entrei pra me distrair. E saí com o coração mais apertado.

Não sei exatamente quando comecei a me sentir assim, mas tenho notado o efeito: uma ansiedade silenciosa, uma sensação de que estou sempre ficando pra trás, de que preciso fazer mais, mostrar mais, ser mais. Mesmo sem saber pra quem.

E o mais estranho é que eu gosto de estar nas redes. Gosto de ver coisas bonitas, conhecer trabalhos fofos, receber carinho de quem me lê. Mas é como um chá quente demais: quando exagero, queima.

Já me peguei tentando criar algo só porque “faz tempo que não posto”. Já apaguei fotos lindas porque “não combinavam com o feed”. Já me senti culpada por não ter vontade de produzir. Como se minha presença ali precisasse ser constante pra ter valor.

Mas aí, em um desses dias em que tudo parecia demais, fechei o aplicativo e fui fazer chá.

E foi ali — com o cheiro da infusão, o ronronar do gato e o silêncio da casa — que me lembrei: não preciso estar online o tempo todo para existir.
Não preciso render o tempo todo.
Não preciso mostrar tudo.
Não preciso me perder pra pertencer.

Desde então, tenho praticado o que chamo de desconexões carinhosas:


Ficar longe das redes por algumas horas (ou dias)
Trocar a rolagem por leitura
Jogar algo leve, sem metas
Observar meus gatos dormindo como se o mundo fosse feito de paz
Fazer algo só por mim, sem postar

E aos pouquinhos, vou me reencontrando. No silêncio, na pausa, no chá.

Se você também sente que às vezes as redes te afastam de si, tá tudo bem se desligar um pouco.
Seu valor não está no engajamento.
Seu ritmo é sagrado.


Sua presença no mundo começa de dentro — e isso já é muito.


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